[sem título]

A caminhada durou cerca de três horas. Não sabia exatamente o que o levara a andar por tanto tempo, apenas uma vontade de andar e andar tomou-lhe o controle de toda a sua existência e nada mais importava. Seu corpo encontrava-se em um estado de desgaste muito preocupante, seu coração batia tão forte que a única coisa que faltava acontecer era um rombo no peito. Suas veias pulsavam freneticamente, não agüentava mais ficar em pé, caiu de joelhos na grama verde e uma brisa refrescante soprava como se lhe desejasse um pouco de tranqüilidade e um momento único para se recompor e, ao invés disso, sua respiração tornava-se cada vez mais ofegante. Algumas pessoas passavam por ele, ignorando-o totalmente. Alguém cruzava com ele, vendendo água refrescante, mas nada o fazia levantar-se e ir em direção à água; imaginava então que aquela era a sensação de morrer asfixiado, sem conseguir respirar, era uma boa forma de morrer, pensava, discordando de todas as afirmações já feitas sobre as mais diversas formas de se morrer.

Seu coração não resistira, era muito esforço para manter-lhe vivo.

Ivan Lessa, tradução e quadrinhos

Acordo às seis e trinta da manhã e faço o que sempre faço quando acordo sozinho: vejo meus feeds e o twitter. No segundo, o site da BBC Brasil anuncia um texto do Ivan Lessa sobre romance gráfico e críticas sobre a “adaptação” de livros para o cinema. Curioso, começo a ler.

A princípio, o texto possui um tom completamente normativista: “Há certas regras básicas”. Eu poderia ter parado de ler ali mesmo, afinal, é como se você estivesse conversando com alguém e, entre vocês, um muro. Entretanto, continuei.

Logo em seguida, o texto discorre sobre “boas” adaptações cinematográficas de grandes clássicos da literatura universal e, a meu ver, essas questões não fazem mais sentido algum agora ao final da primeira década do século 21. Não mesmo. Questões como “essência” ou “fidelidade” ao texto fonte já não se sustentam mais diante de inúmeras produções e do seu consumo massivo. O que deve ser levado em consideração é: a diferença. O que aquela produção trouxe de diferente para o texto fonte? É melhor? É pior? Não, nada disso, muito pelo contrário, uma vez que o texto fonte continuará a existir. Haverá sim, um acréscimo de características que irá dialogar com a fonte.

Entretanto, não posso negar que existe dentro do ser humano aquele pensamento – mesmo que esteja na parte mais obscura do nosso ser – responsável por idéias como: “ah, mas eles destruíram a obra…” Não sou tão versado (ainda) na área de tradução – onde se estudam essas questões de “adaptações”, fidelidade X diferença – para definir realmente o porquê desse comportamento, entretanto, arrisco dizer que seja uma coisa bem “simples”: ego. O nosso ego simplesmente se predispõe ao conformismo, ele odeia a idéia do diferente, logo, nada mais justo para ele do que torcer o nariz para as traduções intersemióticas.

Em seguida, o texto faz uma “piada” sobre o termo romance gráfico (Graphic Novels) e o ato de traduzir romances de ficção em quadrinhos. Novamente, as mesmas questões abordadas acima. Entretanto, acredito que devem ser levadas em consideração algumas informações de cunho histórico para justificar as produções que o autor utilizou como exemplo: traduções de clássicos da literatura brasileira para os quadrinhos produzidos pela EBAL (Editora Brasil-América) nos anos 50-60: 1º Nesta época, houve uma queda muito grande de importação de histórias em quadrinhos por conta do Código de Ética que surgiu por causa da divulgação das idéias do psiquiatra Frederic Werthan e o seu “Sedução do Inocente”. Para suprir essa queda, muitas editoras investiram nas “adaptações” de clássicos. A EBAL apenas seguiu com a onda. 2º Estamos falando dos primeiros anos do pós-guerra. Milagres econômicos, moralismo 99,9%, logo, conservadorismo à flor da pele. E nada mais justo do que ter ojerizas às diferenças, enaltecer a fidelidade, enfim, ser um indivíduo com “essência”. Nada mais justo do que produzir então traduções com todos esses ideais.

E todas essas divagações que o autor mostra no texto são apenas para indagar qual seria a novidade que a Graphic Novel (uso aqui o termo primeiro, já que ainda é um gênero textual sem conceituação consistente) sobre a vida do cantor Johnny Cash, uma vez que ele já foi e muito enaltecido nos últimos anos por muitas outras mídias. Ora, em uma mídia em que o próprio espaço entre quadros estáticos já produz muitos outros mundo, não há novidade? Pensemos em algumas coisas: 1 – Em um mundo globalizado como tal, a setoriarização ainda está presente, logo, tem gente que só assiste filme, tem gente que só ouve música, tem gente que lê apenas livros e tem gente que só lê quadrinhos. É o capitalismo na veia, explorar inúmeros pontos que são possíveis. 2 – Nos quadrinhos, existe uma relação que o cinema ou qualquer outra mídia nunca conseguirá suprir: a relação leitor-imagem. A interação que o leitor produz com as imagens, o fato de poder tocá-la, apreciá-la, voltar novamente para mais uma vez admirá-la é único. 3 – Haverá um desgaste desses signos pelo consumo massivo? Sim, haverá. Mas a própria indústria cultural providenciará a sua renovação de um jeito ou de outro, então, é isso aí.

E, para finalizar, o texto propõe uma boa expectativa sobre a tradução que o Robert Crumb fez do Gênesis, o primeiro livro da bíblia. Bem, li apenas o primeiro capítulo, pouca coisas, mas nesse pouco, não vi nada muito diferente do Crumb ao que ele se propôs. Pegando a idéia do Sidney Gusman, provavelmente fará muitos religiosos irritadiços se revoltarem, mas não há nada de novo entre os leitores de quadrinhos.

________________________________________

Para ler:

Coluna do Ivan Lessa que originou esse post

Frederic Werthan na Wikipedia

ernestodiniz.com – Muitas questões sobre tradução

Review do Gênesis por Robert Crumb feita pelo Sidney Gusman

Coisas que as mães ensinavam antigamente…

Essas pérolas de sabedoria encontrei numa comunidade do orkut da qual faço parte, a Mesa de Buteco Corporation.

__________________________________

Minha mãe ensinou a VALORIZAR O SORRISO…
“ME RESPONDE DE NOVO E EU TE ARREBENTO OS DENTES!”

Minha mãe me ensinou a RETIDÃO.
“EU TE AJEITO NEM QUE SEJA NA PANCADA!”

Minha mãe me ensinou a DAR VALOR AO TRABALHO DOS OUTROS..
“SE VOCÊ E SEU IRMÃO QUEREM SE MATAR, VÃO PRA FORA. ACABEI DE LIMPAR A CASA!”

Minha mãe me ensinou LÓGICA E HIERARQUIA..-.
“PORQUE EU DIGO QUE É ASSIM! PONTO FINAL! QUEM É QUE MANDA AQUI?”

Minha mãe me ensinou o que éMOTIVAÇÃO…
“CONTINUA CHORANDO QUE EU VOU TE DAR UMA RAZÃO VERDADEIRA PARA VC CHORAR!”

Minha mãe me ensinou a CONTRADIÇÃO…
” FECHA A BOCA E COME!”

Minha Mãe me ensinou sobre ANTECIPAÇÃO…
“ESPERA SÓ ATÉ SEU PAI CHEGAR EM CASA!”

Minha Mãe me ensinou sobre PACIÊNCIA…
“CALMA!… QUANDO CHEGARMOS EM CASA VOCÊ VAI VER SÓ…”

Minha Mãe me ensinou a ENFRENTAR OS DESAFIOS…
“OLHE PARA MIM! ME RESPONDA QUANDO EU TE FIZER UMA PERGUNTA!”

Minha Mãe me ensinou sobre RACIOCÍNIO LÓGICO…
“SE VOCÊ CAIR DESSA ÁRVORE VAI QUEBRAR O PESCOÇO E EU VOU TE DAR UMA SURRA!”

Minha Mãe me ensinou MEDICINA…
“PÁRA DE FICAR VESGO MENINO! PODE BATER UM VENTO E VOCÊ VAI FICAR ASSIM PARA SEMPRE.”

Minha Mãe me ensinou sobre o REINO ANIMAL…
“SE VOCÊ NÃO COMER ESSAS VERDURAS, OS BICHOS DA SUA BARRIGA VÃO COMER VOCÊ!”

Minha Mãe me ensinou sobre GENÉTICA…
“VOCÊ É IGUALZINHO AO SEU PAI!”

Minha Mãe me ensinou sobre minhas RAÍZES…
“TÁ PENSANDO QUE NASCEU DE FAMÍLIA RICA É?”

Minha Mãe me ensinou sobre a SABEDORIA DE IDADE…
“QUANDO VOCÊ TIVER A MINHA IDADE, VOCÊ VAI ENTENDER.”

Minha Mãe me ensinou sobreJUSTIÇA…
“UM DIA VOCÊ TERÁ SEUS FILHOS, E EU ESPERO ELES FAÇAM PRÁ VOCÊ O MESMO QUE VOCÊ FAZ PRA MIM! AÍ VOCÊ VAI VER O QUE É BOM!”

Minha mãe me ensinouRELIGIÃO…
“MELHOR REZAR PARA ESSA MANCHA SAIR DO TAPETE!”

Minha mãe me ensinou o BEIJO DE ESQUIMÓ…
“SE RABISCAR DE NOVO, EU ESFREGO SEU NARIZ NA PAREDE!”

Minha mãe me ensinou CONTORCIONISMO.-..
“OLHA SÓ ESSA ORELHA! QUE NOJO!”

Minha mãe me ensinou DETERMINAÇÃO..-.
“VAI FICAR AÍ SENTADO ATÉ COMER TODA COMIDA!”

Minha mãe me ensinou habilidades como VENTRÍLOGO…
“NÃO RESMUNGUE! CALA ESSA BOCA E ME DIGA POR QUE É QUE VOCÊ FEZ ISSO?”

Minha mãe me ensinou a SER OBJETIVO…
“EU TE AJEITO NUMA PANCADA SÓ!”

Minha mãe me ensinou a ESCUTAR …
“SE VOCÊ NÃO ABAIXAR O VOLUME, EU VOU AÍ E QUEBRO ESSE RÁDIO!”

Minha mãe me ensinou a TER GOSTO PELOS ESTUDOS..
“SE EU FOR AÍ E VOCÊ NÃO TIVER TERMINADO ESSA LIÇÃO, VOCÊ JÁ SABE!…”

Minha mãe me ajudou na COORDENAÇÃO MOTORA…
“AJUNTA AGORA ESSES BRINQUEDOS!! PEGA UM POR UM!!”

Minha mãe me ensinou os NÚMEROS…
“VOU CONTAR ATÉ DEZ. SE ESSE VASO NÃO APARECER VOCÊ LEVA UMA SURRA!”

[texto provisóriamente sem título]

Revirando alguns textos antigos, encontrei este cujo final ainda não concluí. Iniciei a sua escrita logo quando cheguei da minha primeira viagem à São Paulo, em março de 2009. Espero que gostem. :D

——————————————————————

Desde que me conheço por gente, um medo me perseguiu quando eu me encontrava em outra cidade. Medo de me perder, de ser assaltado, de ser enganado, enfim, esses medos que tanto nos perseguem mesmo que por uma breve fração de pensamentos. No meu caso, creio que o medo de me perder sempre foi mais forte do que outra coisa.

Lembro-me de que, quando criança, perdi-me em uma das ruas no Caminho de Areia, bairro localizado na cidade baixa, Salvador-Ba. Deveria ter por volta dos 5, 6 anos e não lembro bem as circunstâncias, sei apenas que estava na casa de uma tia e fui inventar de dar uma volta no quarteirão e, entra rua, sai rua, eis-me perdido.

E com medo.

E desesperado.

E pensando que todo o meu mundo simplesmente desfez-se, foi-se embora, simplesmente sumiu.

E eis-me chorando loucamente.

Lembro-me de dois homens perguntando onde minha tia morava, eles caminhando comigo pelas ruas para ver se eu reconhecia o local; e eis que, algumas andanças depois, eis que surge no horizonte a garagem do ônibus azul (a antiga empresa de ônibus Sul America e que, obviamente, era uma das referências para chegar à casa da minha tia). A partir daí, sabia que era só virar “ali”, andar até o final da rua e pronto, eis a casa da minha tia.

Ocorreu-me agora uma curiosidade de saber o que aconteceu com esses dois homens que me conduziram até lá. Duas almas boas, pode-se dizer, por que simplesmente eu poderia ter sido seqüestrado e sabe-se deus lá o que poderia ter sido feito da minha pessoa. Bem, onde quer que estejam, um “muito obrigado” muito especial.

E acredito que baseado nesta experiência um medo sempre me perseguiu quando eu visitava alguma cidade.

E, na quinta-feira do dia 19 de março, eis que eu pisava na estação do metrô de Jabaquara, São Paulo capital.

Sozinho.

Fiquei com medo, admito. Sempre bombardeado pelas mais diversas histórias e casos estranhos, minha mente prontamente trabalhou em visualizar as mais diversas situações nada agradáveis. Pensei então em pedir para Ju P. (que revelou-se grande amiga e ótima em me apresentar momentos únicos da existência humana) ir me buscar. Entretanto, meu lado “macho de ser” falou mais alto e, respirando fundo, pensei: “Ora! Por que não tentar ir sozinho?”

Liguei então para Ju P. e pedi instruções. Era tudo fácil, bastava eu seguir todo o itinerário que eu chegaria ao destino são e salvo. E lá estava eu, comprando meu 1º bilhete do metrô de São Paulo, destino final estação de Barra Funda, sendo que eu precisaria fazer a mudança de linha na estação da Sé.

continua…

[sem título]

Ele acordou suado e ofegante no meio da madrugada. Um pesadelo o fizera perceber que ainda eram 2:37 e que faltava muito tempo ainda para ter que se arrumar. Próximo ao pé, a gata dormia um sono tranqüilo, talvez tendo até sonhos tranqüilos. Caminhou até a cozinha, abriu a geladeira e tirou uma garrafa d’água. “O que procuro?”, pensou ele. “Não posso pensar muito, pensar demais faz mal a saúde mental.”

Sou uma criatura feita de quê? Carbono, dizem. Sendo um pouco egoísta, digo que sou feito de pensamentos, de sonhos, de inúmeras substâncias abstratas que me fazem vaguear completamente em um chato processo de contemplação ao nada. Esse sou eu. Ou pelo menos é o que tento conceituar.

Já reparou como encontros aleatórios nos fazem perceber como a vida é engraçada? Em um instante você compra uma torta alemã e um expresso, no outro, você está sentado em uma mesa conversando com um dos maiores diretores teatrais que a cidade já produziu e com o responsável pela cadeia de cinemas de arte da cidade. Conversa amena, alguns filmes, planos para o futuro, alguns livros e quadrinhos lidos.

A vontade enorme de ouvir The Who.

A vontade enorme de chorar e não conseguir.

As vezes o peito dói. Fruto de tantas coisas não ditas e que estão se acumulando, tantos “eu te amo”, tantos “vamos pra Sampa sim, vamos construir nossas vidas juntos, tantos “sim, quero ter três filhos, uma delas com certeza se chamará Valentina.”

Muitas histórias para escrever, muitos casos para contar, muitas leituras para encantar.

Um documentário para escrever.

Muitos roteiros para escrever.

Cuidar da saúde, alimentar-se melhor, fazer natação para melhorar o fôlego. A vida sedentária te impede de caminhar, de sentir-se melhor, de ser uma pessoa melhor.

[provisóriamente sem título]

“A primeira coisa que Carlos pensou quando acordou na manhã do dia 25 de janeiro de 1890 foi: Que viagem!”

“Viagens do tempo são bastante inspiradoras para Carlos. Poder visitar lugares e personagens históricos, ver o Mar Vermelho se dividir no meio, ver o Big Bang, enfim, conviver assiduamente com o paradoxo temporal deixava Carlos muito excitado.”

-Sério que você vai escrever isso?

-Porquê não?

-Porque viagem temporal é um tema extremamente delicado de se tratar e se você não souber abordar com cuidado, com certeza será apenas mais uma históriazinha mais besta do que o programa do Barney.

O jovem sentado em sua escrivaninha, diante do computador, soltou um longo suspiro de decepção e não falou nada. A namorada estava certa, era fato. Não possuía o conhecimento das diversas teorias físicas para abordar de forma convincente as viagens temporais. Gostava do tema, isso é fato, mas não era o suficiente para escrever uma boa história. Precisava então encontrar um outro tema para escrever.

-Namorado da minha vida, não fique assim… Tenho que ir trabalhar agora, mas prometa que quando eu voltar, terá encontrado algo para escrever, certo?

A namorada aproximou-se dele, deu um longo, gostoso e animador beijo na boca e saiu.

———————————————————————–

-Veja bem, você pode escrever sobre idéias que surgem do nada.

-Como assim?

-Por exemplo: há poucos segundos, poucos mesmo, quando você digitava o “pode” na oração acima e, acidentalmente esqueceu a letra “d”, o corretor ortográfico do editor de texto, automaticamente, consertou o termo para “Poe”, certo?

-Sim, isso mesmo.

-Então, você pode usar tudo o que a sua mente produziu nos breves segundos quando o gatilho do “Poe” disparou.

-Hum… Mas como vou captar todas imagens que a minha mente produziu nesse lapso mental e escrever sobre isso?

-Meu jovem, não escreva sobre tudo, selecione algo e pronto. Por exemplo, porque você não escreve sobre a sua gata preta? Só para aproveitar a imagem que o Poe exerceu na sua mente, sim sim, sei que naquele breve segundo você pensou no “O gato preto” e nem adianta dizer que é um tema batido porque o Faustão ainda está aí até hoje…

-…

-Ok, peguei pesado, sei, mas você precisa rir um pouco… Mas retomando o raciocínio, porque você não escreve uma fábula? Uma gata preta tendo um corvo como melhor amigo… hein hein hein? O que acha?

Diálogos

-O que te deixa tranqüilo?

-Como assim?

-É, que te deixa tranqüilo, o que te faz ficar calmo, relaxado, essas coisas…

-Ah, sei lá. Ouvir alguma música…

-Qualquer uma?

-Não, qualquer uma também não… Gosto de ouvir um jazz…

-Jazz? Mas… Teoricamente não se dá pra relaxar com o tanto de improviso que é o jazz…

-Bem, cada um age de uma forma quando o assunto é música. Gosto muito de ouvir o Coltrane quando não estou muito legal, quando preciso meio que viajar, dar vazão aos meus pensamentos…

-Hum, você está parecendo um daqueles pseudo-intelectuas que ficam dizendo que ouve jazz, blues, só para mostrar que são “cults”…

-Sério mesmo? Bem, que pena então.

-Pena? Por que pena?

-É, pena por você pensar isso da minha pessoa… Mostra que você não me conhece.

Sobre escrever, pt. 2

Relendo o último post, notei uma coisa interessante: o texto está um lixo.

As idéias centrais do texto estão flutuando, nada está bem amarrado; é possível notar a minha impaciência em trabalhar o assunto, a não conclusão de idéias iniciadas, problemas de concordância e blá blá blá.

E mais uma vez chego à conclusão de que escrever, para mim, está sendo um processo muito, mas muito doloroso mesmo.

Mas vamos que vamos, por que atrás vem gente.

Dadal tenta falar sobre a morte

“Os olhos são as janelas da alma”, dizia a minha avó.

Nunca possuí muitas conversas filosóficas e existencialistas com minha avó; pra falar a verdade, nunca conversamos muito sobre qualquer tipo de assunto. Hoje ela está caduca, já não reconhece os objetos, quem dirá as pessoas.

Engraçado como tudo isso está acontecendo. Nunca senti muita vontade de falar sobre ela, na verdade, nunca senti muita vontade de falar sobre qualquer assunto. Sempre fiquei receoso em conversar sobre qualquer tópico, na minha cabeça, pensava que nunca será interessante o suficiente a ponto de chamar a atenção de qualquer pessoa.

E eis-me aqui, agora, puxando um assunto qualquer, alguma coisa aleatória, para simplesmente escrever ao som de uma maquina de escrever elétrica – porque na verdade eu queria o clássico “tec-tec” das tradicionais.

Ok, minha avó.

Lembro-me quando minha avó paterna faleceu. Não senti muito a sua morte. Não fiquei muito abalado. Lembro do meu pai completamente abatido, chorando descontroladamente, sem conseguir dar a notícia pelo telefone. Um desespero apenas passou por mim por pensar que algo de muito ruim tinha acontecido com ele. E de fato, aconteceu. Entretanto, quando vi minha mãe dizendo “sua avó morreu”, não senti pesar algum, apenas um vazio no coração. Fiz um esforço enorme para tentar chorar; para mim, era a coisa mais lógica que eu poderia fazer naquele momento.

Não consegui.

No velório, vi todos os meus parentes arrasados. Alguns com os olhos e nariz vermelhos, sinais de uma noite ininterrupta de choro; outros com as lágrimas vertendo como as cataratas do Niágara. Em um determinado momento, aproximei-me do caixão e toquei pela última vez na sua mão fria e rígida. Meu coração disparou naquele momento, senti meu sangue se revirar todo e, a única coisa que consegui pensar foi: “espero que a senhora descanse”.

Por alguns dias, pensei na minha frieza, fiquei extremamente incomodado pelo fato de não conseguir chorar. Até hoje isso me incomoda um pouco, mas não tanto quando naquele tempo. Por meses, senti-me culpado por não ter uma relação muito amistosa com ela. Muitas cenas nada agradáveis – aqueles tapas a fim de apartar uma briga entre primos e os gritos para reclamar das malcriações que crianças fazem tão bem – retornaram à mente.

Hoje, 11 anos após o incidente, ainda continuo sem entender muito bem a minha relação com a morte. Sei apenas que ela está por aí, ela pode estar na porta do meu quarto lendo alguma revista em quadrinhos ou até mesmo ao meu lado, rindo da sua representação nos episódio de Family Guy. A única coisa que sei é: melhor não pensar o tempo todo nela, se não, como aproveitar o que ela tem de melhor a oferecer: a vida.

Blá blá blá

Hoje foi um dia atípico.

Definitivamente.

A partir de hoje, entramos oficialmente no segundo semestre de 2009; aqui na Bahia, véspera de feriado. O ar torna-se mais fresco, a idéia de não ter que trabalhar amanhã (para muitos) nos deixa muito mais tranqüilos; e, para celebrar, a possibilidade de sair hoje com os amigos é a forma de deixar tudo ainda mais agradável. Valentina implora por atenção, mexendo nas minhas canetas, cds, tudo que esteja ao seu alcance.

Digressão à parte, deixa eu retomar o pensamento.

Segundo semestre.

Então, como eu dia dizendo, o 1º de julho é, de certa forma, um tanto quanto significativo para aqueles que acreditam na segunda chance de realizar todas aquelas coisas que não foram concretizadas nos seis primeiros meses do ano. É como começar o ano novamente, só que desta vez bem reduzido e com muitas pendências atrasadas.

E o inicio de tudo sempre me faz pensar.

Na verdade, a única coisa que só faço bem mesmo é pensar e pensar e pensar.

O dia começou praticamente às 14hrs, com um bom almoço, mas com uma conversa chata sobre literatura e suas abstrações. Apesar de chata, pude tirar uma boa lição: preciso mergulhar mais nos textos.

Depois disso, nada com um expresso pra acalentar o espirito, me deixar muito mais feliz para então ter inicio os encontros aleatórios. Colegas e figuras que há muito não via deram as caras hoje, colegas do 1º semestre da faculdade, amigos puxando-lhe a orelha por estar sendo tão displicente para com sua vida acadêmica, mas sem deixar de dar aquele abraço gostoso cheio de calor e carinho que me faz ficar muito feliz por tê-los como amigos.

Toda essa série de encontros me fez refletir sobre o quanto tenho que trabalhar para pôr em dia as coisas atrasadas, o quanto preciso amadurecer sobre diversos ambitos da minha vida, sobre como eu deveria deixar de lado várias coisas e focar as energias nos estudos.

É, eu sei, já levei a minha porrada no inicio do ano, mas o meu problema é que levo muito tempo para pegar no tranco.

E, como de costume, cansei de escrever. Odeio postar textos que remetem ao modo “querido diário” de ser, mas enfim, precisava escrever…

Até mais!

—————-
Now playing: Alice In Chains – God Smack
via FoxyTunes

Bad Behavior has blocked 7 access attempts in the last 7 days.